
Bem, este é um post completamente aleatório e tem por objetivo aprofundar três itens que tem afetado o meu dia-a-dia de diferentes maneiras, positivas e negativas. Eles influenciam diretamente a minha qualidade de vida.
São eles o meu sócio Caio, a banda roqueira Rush e a operadora Nextel.
Duas coisas maravilhosas e uma grande bosta.
Eu conheci o Caio há mais ou menos 7 anos. Trabalhando juntos na Ogilvy, ocupávamos departamentos diferentes e atendíamos clientes diferentes, o que restringia nosso contato pessoal. O Caio era um cara fechado, de difícil leitura (como se não fosse até hoje...), não dava muita conversa pra quem não conhecia e tinha acesso à alta patente da agência, devido à importância da conta que atendia. Eu era um moleque de 18 anos que mal sabia o que era um layout, e estava transitando entre alguns Departamentos antes de me fincar de vez no "Planejumento".
Os anos se passaram. A Ogilvy sempre foi um desestímulo para quem almejava escalar na Publicidade, ganhar um melhor salário, ser respeitado no mercado. O Plano de carreira simplesmente não existia, os clientes faziam o que queriam diante de uma agência sem líder e sem posicionamento, os trabalhos não saíam, quem era ruim ficava e quem era bom saía. Contraditoriamente, foi o melhor lugar que já trabalhei. A turma da Ogilvy tinha uma química muito próxima à das melhores turmas de faculdade, dos que viram amigos, compartilham histórias e se unem em torno do inimigo comum. Uma turma muito unida e muito talentosa.
O dia da despedida do Caio foi uma merda. Depois de quase quatro anos e uma grande aproximação, nessa época ele já me chamava de "irmão mais novo". Toda a agência se uniu no Círculo Militar, na Urca, pra fazer um bota-fora à altura do carismático elemento. Nunca vou me esquecer desse dia, por alguns motivos. Primeiro que o Luis Carlos, head da agência, encomendou-me um complexíssimo estudo sobre o Rio de Janeiro enquanto atração turística. Era pra filial indiana da Ogilvy. O dia da despedida do Caio era o deadline pra entregar tudo, já traduzido para inglês. Lembro-me de ter ficado tão puto com o prazo que, alguns minutos antes de sair da agência (já não tinha ninguém lá, todos tinham ido pra despedida), liguei pra um amigo e mandei ir pedindo um Steinhaeger e um chopp, "que eu tava chegando com sede". Concluindo o trabalho, rumei para o evento. Tomei todas. Fiquei tão breaco que não consegui converter uma oportunidade claríssima, que eu estava cavando há muito tempo e que se me apresentou naquele dia. Claro claro, na cara do gol. O Caio me chamou num canto e falou: não vai dirigindo. Eu não ouvi. Perda total.
O Caio saiu da Ogilvy. Voltou meses depois. Estressado, teve aquilo que ele gosta de chamar de "co-tre" ("treco" ao contrário). Uma cardiopatia o levou ao hospital. Quando fui visitá-lo, ele já estava tocando o terror em todas as enfermeiras do andar, fazendo piada com todo mundo e pedindo cerveja. Saiu da Ogilvy.
Lá fui eu pra São Paulo. AlmapBBDO, a ferrari das agências, o sonho de qualquer um era trabalhar lá e eu consegui. Sensacional. Depois de um ano, desestimulado com a mesmice da Propaganda e estimulado por um job freela relacionado a teatro, eu e Caio começamos a amadurecer a idéia de abrir um negócio. Nasceu a Open Mind. Aquele job tá parado até hoje. A Open vai muito bem, obrigado.
Neste um ano e pouco de agência, tivemos uma convivência diária (é claro). O bom-humor, a paixão pelo que fazemos e a vontade de concretizar um negócio com a nossa cara e nossa filosofia de vida ganham numa razão de 100 pra 1 as vezes em que discordamos, discutimos ou que, por algum motivo, um clima de animosidade se entranhou na agência. A Open Mind foi uma resposta nossa à sisudez e à caretice que caracterizaram os ambientes em que trabalhamos antes. Já tínhamos o antídoto. Parece que o efeito está se provando mais positivo a cada dia que passa. As pessoas que trabalham conosco são um pouquinho resultado da forma como pensamos e do que queremos não só profissionalmente, mas também pessoalmente. Posso dizer que tenho um grande irmão. A biografia dessa amizade já dá bons capítulos, tantos foram as situações e reviravoltas que nos deparamos neste tempo. Episódios tristes, que fazem parte da vida, e episódios felizes; desabafos, longas conversas, histórias engraçadas (como não contar pros netos o "Tá cagando, Paul?" ou a nossa inesquecível reunião no Correio da Região Rural ou no Metacrill), angústias por não-respostas esperadas, explosões de alegria por respostas inesperadas, muita troca de idéia, muito amadurecimento, muita cumplicidade.
Tenho certeza que o Caio é amigo para o resto da vida. Sócio, só se acontecer uma cagada muito grande que não. Te amo muito, irmãozinho. Tenho certeza que a Open é nosso fingerprint no mundo. É a tangibilização da forma alegre como pensamos - o negócio como uma extensão de nossa filosofia de vida.
Agora, o Rush. Acho que poucas bandas conseguem explorar tão bem a música como um veículo de emoções. Acho que a maioria das músicas deles refletem meu estado de espírito em dias que eu estou motivado, confiante, esperançoso e produtivo, nunca desanimado ou puto da vida. Ouvindo Limelight e Closer to the heart, eu reforço a minha convicção de viver intensamente e de dar sempre o melhor de mim. As quebras de ritmo comandadas pelo batera Neil Peart soam para mim como as quebras de ritmo de quem não aceita discursos prontos, de quem não aceita uma maneira só de ver as coisas. Eu busco nelas o respaldo para meus pontos de vista, a confirmação das minhas melhores convicções. E elas sempre confirmam.
E o Nextel.
Antes de botar a bunda na janela no horário nobre da Globo, esta merda de operadora deveria fazer o básico: cuidar da qualidade do sinal. Não tem antena suficiente pra dar vazão a tantos assinantes. O filho adolescente cresceu e o pijama tá nas canelas, vocês não perceberam isso seus incompetentes?
Negócios podem ser perdidos junto com a paciência das pessoas. Se a lógica do rádio é agilizar a comunicação, não faz sentido eu usar um serviço que me força a repetir a mesma mensagem 3, 4 vezes até a pessoa conseguir entender. Se não cai o meu sinal, cai o da outra pessoa. A chance de eu ou ela não ouvirmos o que o outro tá falando é grande.
Gostaria de convocar todos os usuários a boicotarem esta companhia, que na verdade é um monopólio. A falta de concorrência naturalmente afrouxa a qualidade do serviço. Eles só vão acordar pra cuspir quando entrar outra operadora ou quando a gente começar a mandar uma enchente de e-mails com reclamações. E é isto que eu já comecei a fazer.
Desgraça de Nextel !
Por hoje é isso.
Valeu !

